domingo, 14 de outubro de 2012

Na literatura infantojuvenil existe um elo paradoxal entre o sonho e a realidade, fruto da expansão e despertar da consciência, adquiridos desde a primeira infância até a adolescência, com posterior resgate na vida adulta.

O título Caixeiros Viajantes: Histórias de Vida, Baú de Emoções sintetiza uma história que percorre os caminhos da experiência lúdica. Este panorama aparece transcrito em rimas, trocadilhos, pinceladas de fantasia e pequenas ladainhas que condimentam a obra e ancoram o tema, “uma caixa que surpreende ou faz lembrar”. O imaginário coletivo eclode sob o comando de apenas um protagonista, sugerindo mescla atemporal de fragmentos e recortes situacionais, todos conectados a um propósito: surpreender e fazer lembrar através das palavras.



Caixeiros Viajantes: Histórias de Vida, Baú de Emoções


Cidade de Santa Luz, Cerrado Baiano. Cerca de setenta anos atrás.

Época de seca, estação de sofrimento.

Eu era jovem e livre, mas preso a uma realidade desértica, que encarcerava meus sonhos de menino. Com apenas 8 anos, já sabendo ler e escrever, queria o mundo e não sabia por onde ir, mas tinha por onde começar. E tudo começou na Literatura, a grande arte de reescrever a vida. Única maneira que encontrei para alimentar os desejos de uma mente sonhadora e libertar sentimentos trancafiados.

Pelas manhãs, minhas palavras cantavam esperanças, mas desafinavam nas dores, tentando explicar a solidão e a simplicidade paupérrima de um povo. E a cada noite, ao soprar o lampião, eu apagava da memória os resquícios de mais um dia.

Minha família sou eu, meu irmão mais velho e minha avó, Serafina. Pais, não tenho não. Já foram levados pelas agruras do Cerrado. Sobraram apenas lembranças. Meu irmão, o Tonho, trabalha na roça, mas com a falta de chuva, só nasce desgosto. Vivemos da renda das rendas que minha avó entrelaça, com a graça que Deus lhe deu.

Acho que sou meio frasista, meio poeta. Gosto da rima, da sina, do sino e das igrejas. Santa Luz tem apenas uma igreja. Pequena, frágil, mas de fé inabalável. Além de escrever e prosar, adoro escutar rádio. Até hoje, sou fascinado pela sonoridade das palavras. Achava surpreendente que de uma caixa de madeira forrada com tela, sairiam tantas e tantas palavras: ditas, malditas e benditas. E foi pelo rádio que alertei o povo e a notícia se espalhou: Eram os Caixeiros Viajantes saindo de Salvador rumo ao Cerrado.

Passadas algumas semanas, como em um repente nordestino, a vida mudou por completo. Do horizonte, surgiu um mar de possibilidades, que inundou de felicidades o solo rachado pela estiagem. Mais parecia o começo de tudo, de quem nada tinha à espera do pouco que viria. E veio, ah se veio!

Vindo de longe, no lombo da mula, surge a novidade. O povo grita, canta, como se fora milagre. Eram os Caixeiros Viajantes, desbravadores de uma vida sem fim. Do pampa ao cerrado, traziam doses de alívio, cultura e diversão.

Naquele tempo, o que eu mais queria, era ver as novidades que lá estavam guardadas. As caixas revestidas de couro e adornadas com pedrarias eram o abrigo de muitas especiarias, todas cobertas por um manto vermelho repleto de segredos.

Da voz do mascate, ainda me lembro bem. Gritava alto com todas as sílabas: No-vi-da-de! Tem novidade! Pronto! Chegaram na praça: homens e mulas, ambos teimosos, todos sedentos.

Corre, traz água do poço pro moço, menino! Disse, apressadamente, a pobre Tereza, que mal tinha para beber. A tristeza em pessoa. E os homens bebiam, e as mulas também. Desta vez, com incrível obediência.

A vila parou por alguns minutos para observar o descanso dos viajantes. Ninguém falava, nada se movia. Mas minha mente seguia elucubrando em voz alta: Eu também tenho sede, mas minha secura é outra. Tenho sede por palavras.

Enquanto os sulcos da pele dos viajantes eram irrigados, eu fitava os recipientes ainda pendurados no lombo do animal. Meu pensamento ganhava asas, e as caixas ganhavam vida.

Sempre gostei de caixas. Caixas de música, muito raras aqui no Cerrado. Caixas de frutas, eu vejo algumas em época de chuva. Caixa de ferramentas, tem uma lá no celeiro. Caixa de correio, estas só na cidade grande. E tem até as caixas-fortes, dizem que guardam muito dinheiro. Mas minha primeira caixa foi a de engraxar. Dentro dela, guardava mais que apetrechos de trabalho, levava comigo a esperança de dias melhores e, ao contrário dos bancos, os poucos tostões que conseguia. Ahn, guardava também os inseparáveis lápis e bloco de anotações. Talvez por isso tenha parado de engraxar, percebi que escrever era mais emocionante. Afinal de contas, escrevendo eu poderia ser qualquer herói ou personagem, inclusive eu mesmo. Falando em ser eu mesmo, com a propriedade da palavra, voltemos aos Caixeiros.

Os Mascates, já restabelecidos, começaram a ofertar de tudo. A cada frase rimada, algo do baú era vendido. E não é que o reclame funcionava!

Minha freguesa, estimada senhora: olhe tudo, compre tudo, mas não perca a hora. E a mulher comprava, feliz da vida.

Caro senhor, prezado cavalheiro: trago cadernos, trago ternos e canetas tinteiro. E o homem comprava, feliz da vida.

Venha cá menina, ouça pequena: tenho brinquedos, conto segredos e aquele poema. E a menina comprava, feliz da vida.

Venha cá menino, escute garotão: tenho bola de pano, tenho piano e um avião. E o menino comprava, feliz da vida.

Se aproxime moça, venha devagar: o espelho de louça reflete o brilho do mar. E a moça comprava, feliz da vida.

Escute rapaz, jovem trabalhador: trago medalhas, trago sandálias e um barbeador. E o rapaz comprava, feliz da vida.

Vale rimar, pechinchar, só não vale pendurar. Retrucavam os mascates repentistas. O burburinho foi diminuindo, minha curiosidade aumentando e os baús esvaziando. Quando cheguei mais perto, percebi que era tarde demais. Arregalei meus olhos afundados pela magreza, mas nada havia além de panos de cetim.

Não sobrou nada, menino. Em seis meses a gente volta com mais novidade, falou o mascate. E o inevitável aconteceu. Lágrimas desenharam um pedido de súplica, que escorreu por minha face ainda incrédula. E o improvável também aconteceu. Compadecido, o mascate olhou-me por alguns segundos e disse: Veja bem menino, o choro é chuva que lava alma. O que você quer eu não tenho não, todos os brinquedos já foram vendidos. Só me resta este livro, finalizou o homem. E num piscar de olhos, troquei as lágrimas por um sorriso geométrico. Alguns segundos de paralisia e a certeza: um livro, tudo o que eu sempre quis.

Menino! Você quer ou não quer o livro? Insistia o homem. Quanto? Perguntei de imediato, num ato de coragem. Nada não. Teu choro ajudou no pagamento, a outra parte é pela água que matou minha sede.

Menino, mas qual é o seu nome? Fernando, respondi com incomparável orgulho. Meu pai disse, antes de morrer, que foi em homenagem a um tal de Fernando Pessoa, grande escritor. Hoje, sou uma pequena pessoa chamada Fernando. Mas sei que tenho muito por crescer.

Eita menino que escorrega nas palavras! Pegue este livro. Dizem que é a última moda lá na capital, cidade grande tem muita gente estudada, filho. Quando percebi, o livro já estava em minhas mãos. Era nada mais, nada menos que A Caixa de Pandora. Depois das cartilhas escolares, foi o primeiro e mais especial livro da minha vida.

Daquele momento em diante o tempo parou. Os mistérios da Caixa de Pandora foram sendo revelados. Nos trilhos da imaginação, minha fantasia percorreu a dramaticidade do mito unindo passado, presente e futuro com a velocidade de um vagão desgovernado.

Quando jovem, dentro da minha caixola, haviam muitas dúvidas. Porém, de uma coisa eu tinha certeza, a vida é feita de desafios e muitas surpresas. E para efeito de lembrança, vou digitar em caixa alta o desfecho dessa narrativa:

HOJE, DEPOIS DE ABRIR MUITAS CAIXAS E ESCREVER TANTAS HISTÓRIAS, PREFIRO OS BAÚS. ESPAÇOSOS, ELES RESISTEM AO TEMPO E AS LEMBRANÇAS DE UMA VIDA SEM FIM.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O BLEFE DO INTANGÍVEL: COMO VENDER UMA IDEIA EM DEZ CARTADAS

Certamente você já vendeu, ou tentou vender, algo que fisicamente não existe. Possivelmente um projeto, ideia, convicção, verdade sobre algo ou alguém. Entenda este tal "vender" como ato de convencimento maior, caracterizado por palavras e gestos persuasivos a ponto de representarem valor. Em geral, este valor pode ser entendido como credibilidade.

Todos que acreditam em você, em algum momento, pagaram por esta percepção. Em outras palavras, assumiram riscos. E pouco importa se suas assertivas foram morais, amorais ou meros blefes de um apostador. Afinal, estamos tratando de verdades pessoais: crenças edificadas por alguém, sob o alicerce subjetivo de terceiros.

Da Filosofia à Sociologia, da Psicologia ao Direito. A hipótese do subjetivo circunda teorias das mais diversas. Destas, dois eixos fundamentais tentam materializar uma simples pergunta: Objetivos ou Subjetivos, o que devemos ser, em que devemos acreditar?

Até que se prove o contrário, gestos ou falas objetivas presumem estabilidade. A estabilidade gera uma zona de conforto que transmite segurança, também interpretada como algo fiável. Enquanto que expressões subjetivas, por oferecerem amplas possibilidades de análise, podem acarretar instabilidade frente às múltiplas questões de cunho pessoal, das quais se originam as relações paradigmáticas do ser humano com a natureza dos seus sentimentos.

Universalmente conhecido como o mais sublime dos sentimentos, o Amor, é multifacetado e subjetivo. Por isso, cabível de muitas definições. Uma delas, afirmaria que a paixão pelo dinheiro subsidia o amor, e que as pessoas amam o dinheiro tanto quanto a si mesmas. E que para amar algo ou alguém basta querer. Outra, não menos julgável, diria que o dinheiro não pode comprar tudo, mas pode alugar para sempre. Você pode ter o mundo aos seus pés, desde que faça por merecer. Eu sigo te amando porque, a cada dia, você é capaz de me convencer disso. (...) E por aí vamos. A subjetividade do amor é incontestável: amor para uns, posse para outros. A amor é sim e não ao mesmo tempo, vida e morte. Ambição, traição. Mentiras e verdades. 

Para que desejos possam ser realizados, antes, devemos criar necessidades. Diante dessa lógica, o ato de comprar e o ato de vender significam apostas. Ver para crer, ter para poder ser. Assim somos, assim baseamos nossas escolhas. Agora, como aplicar toda esta retórica de presunções a uma tática de vendas? Afinal, como vender uma ideia? Basicamente, é preciso compilar as seguintes máximas: acreditar em si, assumir riscos e demonstrar conhecimento, tudo isso externado sob o álibi da sedução.

Quando pensamos em vender, não importando o nível de tangibilidade da oferta, devemos lembrar que também estamos comprando algo, ativos que estão além da percepção comum. Por conta disso, toda e qualquer ação comercial merece um grau de repenso. Diante de negociações fique na espreita e acredite no pessimismo como função de vigília. Nestes casos, procure duvidar dizendo acreditar, busque acreditar mantendo distância. Questione, provoque erros em momentos oportunos. Saiba sorrir.

Na vida tudo é uma questão de oportunidade e aposta. E apostadores sabem ou presumem quando, como e para quem vender. Presumir é estar um passo em falso à frente dos demais. Como critério de desempate, significa vitória. Diante desse ponto de vista, o jogador enxerga a oportunidade em todas as partes, mas em ângulos normalmente imperceptíveis à grande maioria das pessoas. O vendedor torna-se um bom jogador quando adquire a capacidade de leitura destas faces, aqui referidas como esfera íntima. A intimidade se revela nos mínimos detalhes, discretamente preservados no emocional de cada pessoa. 

Vendendo uma ideia... 

O poder da palavra dita e não dita, nem sempre pode ser medido. Tudo depende dos contextos que envolvem o emissor e o receptor, suas crenças e objetivos. Mas uma coisa é certa, a fala roteiriza nossos destinos. 

1. OLHAR   .sunglasses. 

Sempre que for vender comece falando com os olhos, através de um equilibrado aperto de mãos. Fixe seu olhar em três pontos convergentes: o primeiro e mais importante deles, é a figura de quem decide. Depois, observe cautelosamente os elementos representativos à figura do decisor, estes podem ser pessoas/coisas ou menções honrosas (estão ali para serem vistas e admiradas). Por último, olhe para si mesmo e organize sua tática. E lembre-se: nunca desvie olhares, nem mesmo se o decisor for cego.

Olhares invasivos percorrem os caminhos da alma.

2. DISCURSO   .fifty-fifty.

Quando iniciamos uma reunião comercial, falar e deixe falar ainda é a principal tática de segurança. Em proporções equivalentes, esquematize seu tempo e não metralhe palavras. Boas falas são balas certeiras com alvo definido. Esta precisão telescópica depende de uma complexa equação: decodificar respostas e gestos em pouco tempo e submetê-los a ações de investida. Um sim nem sempre é um sim, um não nem sempre é um não. Um perfume pode revelar mais do que você imagina, mãos ao rosto produzem insegurança e perda de foco. Paralisia é teste, agitação é desinteresse. Abra fogo e tome proveito disso.

Falar sempre a verdade é mentir para si mesmo.    

3. VOCÊ   .your face, your destiny.

Apresente-se, mas fale pouco sobre você. Evite repetir o pronome eu. "Eu isso, eu aquilo" (...).  Lembre-se que seu produto é você, e você é o produto das suas escolhas. Logo, fale das vantagens competitivas de seu projeto sem contar vantagens sobre ele. Tenha cuidado, pois seu ego pode inflar e a negociação estourar.

Livre-se das teorias absurdas, você é o que representa ser.

4. CARISMA   .Facefriends.

Em um mundo friamente interligado não basta ser amigo, tem que seguir. Nessa jornada de passos, rebolados e tropeços, existe algo extremamente relevante: falo do carisma. Para muitos o carisma é uma espécie de dom, mas não meta seu D'eus nessa história. Pois carisma nada mais é que um conjunto de habilidades e predisposições pessoais que você pode ou não desenvolver e utilizar para muitos fins. Entretanto, se você é carismático, antes de tudo, é porque certas pessoas acham isso. Então, trate de manter estas percepções sempre em dia.

Quando for vender, além de vender, pense no pré e no pós-venda. Esteja no jet set e nos eventos de circuito, por mais idiotas que pareçam ser. Sorria, mesmo que amareladamente. Nunca dispense um abraço, beijinho ou aperto de mãos. Dê presentes, bajule, bata palmas. Boa memória também é um ativo, logo esforce-se para não esquecer nomes. E comente, ao menos, um assunto ou hábito em comum. Funciona! Outra importante lição é saber conjugar os verbos de ligação, que conduzirão você ao seleto grupo dos preferidos. Eles serão seu mantra daqui em diante.

Conforme prega a Língua Portuguesa, os verbos de ligação não indicam ação, pois fazem a junção entre dois termos: o sujeito e suas características. Em outras palavras, o decisor e seu life style.

E sempre que ouvir algo do tipo: "Eu compro sua ideia, mas com uma condição (...)" Saiba que você também estará se vendendo. Calma! Toda negociação consiste em abrir mão de algo. Ora, a vida é uma eterna troca de gentilezas. Pense no lado bom de tudo isso. Ser amigo da fera, não significa ser amigo da onça.

Siga meus passos, mas desvie de mim.

5. ELE   .mirror match

Imagine uma luta de igual para igual onde você é o seu próprio adversário. Pense em um tatame rodeado de espelhos que refletem pseudo representações de vitórias, derrotas e empates. E a única maneira de não vencer é perder para si mesmo. Diante deste complexo jogo de esquivas, existe algo que jamais deve ser esquecido: a imagem do comprador é o reflexo da negação e das inseguranças que golpeiam você. Portanto, defender não basta, é preciso contra-atacar, mas vá com calma para não cometer suicídio.

A disputa entre iguais revela um certo narcisismo corporativo, que tem no poder o auge do embate estético, uma busca que prevalece até a consagração do vencedor. E isso pode ser observado quando plasmamos em frases algumas convicções do tipo: Eu sei mais que você, ganho mais que você, tenho mais que você. Eu posso mais que você. Eu sou mais eu. Afinal, quem blefa mais, quem compra quem?

Para vender sua ideia pratique táticas comerciais e ganhe corpo, todavia evite aparentar mais força que Ele. O segredo é parecer com Ele, sem perder suas próprias características, evitando aparentar fraqueza. Enfrentá-lo sem criar expectativas de confronto é uma estratégia recomendável. Por isso, jogue pelo empate e faça com que Ele acredite nisso. Amenize possíveis perdas.

Vender é ganhar o round, viver é ganhar a luta. 

6. ELA   .Mirror, mirror on the wall.

Mulheres são influenciáveis, inseguras e frágeis. Errado. Quando quem decide é Ela, nem sempre é assim. Prepare-se para uma profissional influenciadora, segura e destemida.

A mulher é o oposto do homem: pensa, age e decide diferente. Opera em outra frequência. Ainda assim, isso não torna improvável que personalidades feminina e masculina se complementem em âmbito corporativo. Mas qual seria o segredo do bem sucedido enlace comercial? Saber ceder, para muitos, já seria prerrogativa. Entretanto, além de bom senso é preciso seguir à risca alguns mandamentos.

Seja curioso - Em tese, toda reunião de negócios com uma mulher demanda pesquisa de perfil. Antecipe-se e saiba quem Ela é, com quem se relaciona, conheça seu histórico profissional e alguns detalhes pessoais. Estas informações continuam sendo tão valiosas quanto a fórmula do amor.

Sexo frágil não existe - Sempre que for vender para uma mulher esqueça o velho tabú machista e prepare-se para uma queda de braços psicológica ou comportamentos hipnóticos.

O improvável é provável - Esteja preparado para a imprevisibilidade feminina, mais conhecida como fator rosa. Saias justas, sobressaltos, desequilíbrios e rejeições das mais diversas. Contra ou a favor de você. Tudo é possível.

Saiba olhar - Olhares mal interpretados podem significar insucesso, olhares bem compreendidos contam pontos a seu favor. Um olhar preciso é sinal de visão de futuro.

Surpreenda - Na medida certa, aposte no encanto de belas atitudes, mas não ultrapasse o sinal vermelho. Por serem boas de blefe, mulheres sabem diferenciar ogros de pseudo sensíveis e modernos de velhos galanteadores.

Fala apenas o necessário - Nada de extrapolar com bandeiras ideológicas ou apologias enferrujadas. Evite rodeios e limite-se ao básico. Nunca ouse contar segredos a uma mulher. Tais informações poderão ser usadas contra você, inesperada e impiedosamente.

Humildade para vencer - Lembre-se que a vaidade feminina vai além do espelho. Ou seja, não tente aparecer ou saber mais que Ela, pois Ela o verá como adversário e não como parceiro de negócios. Tenha cuidado: um espelho quebrado desperta o existencial colérico de uma mulher em seus piores dias.

A vida é um teatro, observe certas mulheres e dramatize melhor.

7. MARCA   .my brand, my life 

No meio ambiente corporativo, empresas de qualquer porte ou segmento, são visualmente percebidas através de representações simbólicas, chamadas identidades visuais, ou simplesmente marcas. As do tipo conservador carregam o estigma da austeridade, enquanto que as ousadas optam pelo conceito do moderno e inovador, mas cada qual estipula e define um estilo.

Qual é o seu nome? Como lhe chamam? Como você gostaria de ser chamado? Eis o cerne da questão. A personalidade de uma empresa se equivale à identidade de uma pessoa. Em grande parte, no que compreende o contexto que envolve seu discurso ao mercado. Assim, da mesma maneira com que pessoas nascem, crescem e se multiplicam, marcas são criadas, posicionadas e conquistam seguidores.

Um dos objetivos do blefe do intangível é exatamente este: fazer com que as pessoas sigam acreditando, inconscientemente, que toda marca é um organismo vivo, inteligente e capaz de transmitir emoções. Vender esta ideia à sociedade sempre foi uma grande jogada. Que tal comprá-la? Talvez um bom começo para somar pontos e acumular perspectivas diante da concorrência. Afinal, um bom vendedor precisa ser marcante.

A concepção, coexistência e sobrevivência das marcas depende unicamente de pessoas. A sociedade das marcas é o nosso mais novo habitat. Pessoas e marcas vivem uma discutível conexão de desejo, repúdio, inteligência e irracionalidade.

Pessoas constroem o mundo, marcas transformam pessoas, e a vida vai sendo consumida.

8. OUSADIA   .Pit Bull.

O ditado diz: Cão que muito ladra não morde. Mas, dependendo da raça, apenas uma mordida é o bastante para dilacerar certas expectativas. Isso vale para quem compra e para quem vende.

Quem gosta de ouvir um não? Pior ainda, relembre aquele sonoro e retumbante NÃO invadindo seus domínios auriculares. É do ser humano, o rechaço faz a gente recuar e diminuir de tamanho.

Ousadia é luxo. Poucos são aqueles que usam a cara e a coragem, unhas e dentes em suas abordagens comerciais. Ousadia é partir para cima sem atropelar, é gritar falando baixo, é olhar de forma subcutânea, é esconder mostrando. Ser ousado é estar à margem da zona de segurança, equilibrando-se entre o ímpeto e a estratégia.

Moral da história: Devemos aprender a pescar, antes de vender o peixe. Coragem, determinação e agressividade deverão ser instintos de sobrevivência. Caso contrário, estaremos à mercê de um cardume de piranhas.

Não murche as orelhas diante de um não, rosne.

9. COVARDIA   .Poodle Toy.

A história dos covardes repagina algumas clássicas lembranças de pessoas, que através da especulação e de boas jogadas, tornaram-se anti-heróis. Quem não se lembra de como Nero começou e terminou sua jornada em Roma? E de Ares, filho de Zeus, o soberano dos Deuses. Implacável covardia.

A covardia pode ser entendida como ação que visa a fuga ou como esmagador ato de supressão de forças rivais. Clarice Lispector um dia escreveu: "Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante." Talvez por isso, em uma mesa de apostas os instantes parecem ser eternos rivais.

Em brigas de cachorro grande, ao contrário de Pit Bulls, Poodles têm muito a perder. Mas o instinto de sobrevivência obriga os covardes a criarem dispositivos de manipulação que agregam valor em qualquer disputa. Curvar-se ao poder alheio também é tática de segurança. Por isso, ofereça sempre a melhor e maior parte da ração ao seu oponente. Dê lambidas ao invés de mordidas. Seja discreto, finja resignação e saia pela tangente.

Pobre cãozinho indefeso, ele é líder de uma matilha de lobos famintos.

10. QUANTO VALE O SHOW?   .pay to see, or no.

Pode valer o que você quiser. Muito, pouco, nada. Tudo depende. Principalmente, de até onde você quer chegar e em quanto tempo quer estar lá. Na frente de quem? A questão não é o dinheiro e sim, o que você faria ou não faria por ele.

Disponibilidade, fidelidade, gratidão, resignação, impotência, competência, incapacidade e cegueira são alguns exemplos de moeda de troca, atitudes cambiáveis que valem tanto quanto dinheiro.

Afinal, quem vai pagar a conta da sociedade falida? As fichas estão acabando.

Pode apostar, uma boa mão faz de qualquer show um mega espetáculo.

Viver é pagar para ver.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

    BANCO DOS RÉUS


    CULPADO OU INOCENTE?


Assaltante de banco: culpado pela inocência do sistema 
Dono de banco: culpado pela clientela, inocentado pelos clientes
Pichador de banco: inocenta-se pela revolta presente no vandalizar
Tarado de banco: a inocência da moça põe a culpa no moço, que pune a moça 
Enfermeira do banco: uma vez por mês sangra as próprias culpas
Enfermeiro do banco: sem a menor culpa, goza todos os privilégios
Médico do banco: cego pela culpa, fica de olho nas córneas alheias   
Bicheiro no banco: culpado pela polícia, inocentado pelo apostador
Jogador de banco: a culpa não é dele, sempre do técnico

terça-feira, 21 de junho de 2011


CUÉNTAME un cuento


Hay un cuento, que casi por lamento, se llama microcuento.

Pequeño, pero muy atento, vive de "cadabras", haciendo rimas con palabras.

Le encantan los trucos, los conejos, los sombreros, los payasos locos.

De lunes a lunes, siempre a la noche, camina por el circo. Sus huellas, rojas, manchan de sangre un espectáculo sin risas. Inolvidable como las tragedias griegas, irreversible como la muerte.

El circo, antes lleno de esperanza, ahora queda vacio y quema sin parar. ¡Fuego!

Al final, destrozado y arrepentido, el microcuento llora las pérdidas: son frases, palabras y muchas, pero muchas letras carbonizadas. Pero de golpe, hecho una magia, sus lágrimas debelaran las llamas. ¡Agua!

Por suerte, aún quedan sobrevivientes: la pluna de color roja sin tinta y una hoja con medio cuerpo quemado, quemado por la soledad.

En medio a todo, queda la pregunta:

¿La literatura es un código oculto o un macrocuento secreto?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Escriba

Sua vida foi literalmente escrita pela mão do destino.

Depois de tanto escrever, já nas páginas finais, o folhear do tempo registrou seu último pedido: Virar a página e encerrar sua história.

O livro aberto se fechou e a poeira tratou de embalsamar o corpo.

Esquecido por décadas, certo dia, renasce diante do sopro investigativo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mulheres Homens

Ursula Burns

Elas são a personificação dos processos corporativos: multidisciplanadas, multidisciplinares, adaptáveis e, assumidamente, pouco sentimentais. Tomam de 30 a 50 decisões por dia com certa facilidade, seguindo à risca um padrão viciante e centralizador.

Costumam criar e recriar projetos, rever prognósticos, imaginar cenários, repensar detalhes e, por fim, decidir.

Podem ficar por mais de 10 minutos se olhando no espelho em busca dos porquês, e não em busca dos sinais do tempo. Pelas manhãs, exalam a fragrância do otimismo e da sapiência em cada bom dia, mesmo estando sob forte pressão.

Elas são executivas, diretoras executivas, presidentes ou simplesmente chairwoman's. Elas estão no alto escalão: ministras, governadoras, chefes de estado, pessoas de grande influência.

Preferem a crítica pontual ao ponto final. Costumam responder com olhares introspectivos ao invés de falas prontas. Quando o diplomático boas-vindas torna-se obrigatório, um sorrir comedido e um tradicional aperto de mãos já são o bastante.

Elas trabalham full time, extra time, time after time e nunca estão offline. Quando resolvem dormir, seu cérebro reascende ao toque do smartfone. Elas são mães, filhas, netas, amigas, amigas de poucas amigas, ou não. Enfim, pessoas cumulativas que pluralizam a vida de uma maneira singular.

Falam muitos idiomas, não necessariamente linguísticos e dominam três dialetos fundamentais: corporativês, economês, politiquês.

Elas têm um senso de sobrevivência fora do comum e costumam resistir a altas e baixas temperaturas do mundo dos negócios. São flamantes quando perdem a cabeça, são gélidas quando cortam cabeças. Contudo, equilibram-se nas cordas bambas do ser ou não ser.

Como excercício e não como hobby, jogam xadrez ou golf - e até arriscam um simulador de vôo. Suas noções espaciais e periféricas são acima da média e definitivamente, não são nada estabanadas.

Elas percebem, enxergam, decodificam e transmutam oportunidades em segundos, provando que computadores não têm visão sistêmica. Como se não bastasse, elas criam e reinventam conceitos, jovializam propositalmente velhas máximas, numa tentativa de revitalizar os estereótipos da meia-idade.

Muitos homens as consideram dinamicamente assustadoras ou rivais eternas. E, se existir atração física entre ambos, dificilmente haverá algo a mais do que sexo ocasional. Talvez e bem talvez, um platônico romance poderá surgir.

Elas optam pelo prestígio, porque a fama não está associada ao poder. Elas são calculistas, metódicas, econômicas e projetam os próximos 5 anos como se fossem 5 meses. Porém, aqui vai um alerta: Mulheres Homens não são assexuadas, solteiras convictas, frígidas, inimigas ou incapazes de amar. Apenas ultra-corporativas.

Sim, elas são mulheres, as novas mulheres.

Elas são Mulheres Homens.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Detesto, Mas Venero

Detesto a falta de conexão das pessoas com as pessoas, mas venero olhar pessoas como pessoas. Detesto não compreender o incompreensível, mas venero a fragilidade do mundo plausível. Detesto a patifaria reminiscente do político, mas venero o reincidente espancamento crítico. Detesto conjugar critérios da vida alheia, mas venero todos aqueles que tecem a própria teia. Detesto o longo discurso dos que buscam perguntas às respostas, mas venero a sutileza dos que encontram respostas às perguntas. Detesto a complexidade aparente das grandes coisas, mas venero a simplicidade presente nas pequenas coisas. Detesto o engodo dos pseudo-intelectuais, mas venero a falsa cúpula dos acadêmicos imortais. Detesto tudo aquilo que me enfraquece em dias normais, mas venero perder forças em atos banais. Detesto o apodrecer da comida na encruzilhada, mas venero o enrijecer da mosca envenenada. Detesto a cartilha do rigor diplomático, mas venero o manifesto em prol do lunático. Detesto a contrapartida dos chefes de estado, mas venero o ímpeto do filho bastardo. Detesto o bajular rebuscado do galanteador, mas venero o beijar roubado do namorador. Detesto os documentos que atestam minha saúde mental, mas venero a feroz eloquência do surrealismo letal. Detesto saber que nada sei porque tudo busco, mas venero lamber o prato que a cada dia cuspo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sistema Prisional da Rima

Linhas aprisionam [letras]
Letras superlotam (linhas)
Linhas e seus para|e|os
Paralelos não tão belo$
de um marírio particular:
rever a poetiza que me fez sonhar


domingo, 24 de outubro de 2010

Releituras sobre mim mesmo


O fato de reescrever sucessivamente minhas frases e textos, lapidando-os com o objetivo subliminar da auto-crítica se deve, ao que me parece, a uma viciante tentativa de conjugar o simples e o complexo, ao mesmo tempo, diante de proposições normalmente incompatíveis entre si. Falo do excercício interminável que movimenta um carrossel de fragmentos, concepções e aprendizados artísticos não convencionais dos quais tiro proveito. Por isso, adoto a Literatura de Ruptura como cerne estilístico de meus escritos, sendo ela o manancial criativo que irriga outras fontes de saberes e habilidades literárias, tais como Surrealismo, Dadaísmo, Minimalismo Cáustico e as abstrações em geral, sempre providas de interferências caóticas e desorganizadas em sua estrutura, a fim de criar reflexão e desequilíbrio no olhar do outro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Frasismo sem Ceticismo


Cinema de Observação

Eu olho, olho, olho e não vejo nada.


Nuances


Com toda a clareza, sem sombra de dúvida, lúcido.


Engrenagens


As coisas vão acontecendo, TIC e você nem percebe, TAC.


Blá, Blá, Blá


Geralmente, homens acima dos 70 anos, costumam desenvolver linguajares repetitivos. Ora, ora... não existe idade para ser feliz.



Injustiça


O homem, quando vendado pela raiva, fica cego e mata por justiça.
A justiça, quando vendada pelo poder, faz muito pior.


O filó de Sofia


A filosofia faz refletir sobre a trama e os retalhos de vida costurados no subconsciente mundano.


Coquetel Molotov


Esprema os discursos flamantes do Stalin, Lenin, Gorbachev e os do Yeltsin. Em seguida, pingue algumas gotas de Putim, Sarkozy e Aznar.  Adicione gelo à gosto e agite bem. Por fim, decore com tentáculos de Lula. Sirva em doses camparianas.


Sustentabilidade


Quem planta, colhe. E se mantém em pé.


Retrocesso Sustentável


Um passo à frente, dois atrás.


Consumismo


O mundo é uma fábrica de desejos supérfulos, viciantes e reaproveitáveis.


Inteligência Artificial


Em meio a velha rotina, o moderno equipamento de bolso envia uma mensagem de texto: quando existe demanda, existe solidão.


Coronelismo


Ele comprou tudo e todos, inclusive a si mesmo.


Conceitos à Varejo


Compro, vendo, alugo ou troco por ideias.


Fator Sorte


Se por acaso, o fado da chance e a sina da fortuna coincidirem com a sorte e tua estrela brilhar, pode ter certeza: é azar.


Alemão Tarado


Nietzsche tinha Fetitzses.


Arrogante e Desequilibrado


Ele bebeu e saiu do pedestal. Desceu degraus, escorregou nas palavras e foi parar na sarjeta. Quando amanheceu, irreconhecível, chamou seu táxi e disse: Me leve para casa, James.


A Velha Máxima dos Novos Ricos


Uma coisa é certa: novos ricos não enxergam a longo prazo. É o tal Glaucoma da extravagância.


Ambição Musical


Ler cifras pensando em cifras.


Ambição Política


Contar cédulas como quem conta cédulas.


Ambição Literal


Investir em Letras do Tesouro.


Ambição Sexual


É o prazer de negociar ativos e passivos e ganhar por isso.


Ambição Desportiva


É derreter os inúmeros quilates acumulados ao longo da carreira.


Ambição Religiosa


É trabalhar com fé, depositando suas crenças em eternos paraísos fiscais.


Má Impressão


Que se folder os panfleteiros com seus manuais de identidade ética.


Etapas da Vida


Ardências customizadas em minha face.


Simpósio Criativo


Comentários publicitários para otários.


w c)


Dele, grandes ideias podem surgir. Respire a essência, produza. Mas antes, por favor, puxe a descarga.


Políticas


E se as políticas públicas fossem privadas? Hummm, isso me cheira mal.


Carochinha


O rebelde sem causa e seu oceano de causos. Conta outra.


Frase-boleadeira


É qualquer frase rápida e certeira o bastante para derrubar um receptor.


Demoradinho


Aquele que tira o atraso com atraso.


Rapidinho


Aquele que tira o atraso sem tirar a roupa.


Agredindo Paula


PAULADA!


Insultando Atriz


Cristiane F.DP


Ofendendo Atriz


Sorrahteira!


Irritando Fernanda


Youngi!


Caçoando Cariúcha


Calcanhoto, calcanhar de gafanhoto.


Obama


Vote Petrolino! A melhor plataforma de extração dos recursos públicos.


Anorexia Salarial


Durante o dia ganho pouco. À noite, perco tudo. Bolsos esquálidos.


Dantesco


A carceragem da PF virou lugar de banqueiro e investidor, tem até porta giratória.


Acrobata Digital


Lê no trapézio cartas alheias. PDF ou FDP?


Piada Sem Graça Connection


Caio Blinder disse: "O Brasil tem muitos milionários, a China tem bilionários". O quarteto riu, eu contei minhas moedas e chorei.


Arte Cínica


Trouxas do otário: camisete e soquete. Duas peças, um teatro.


Sobre Filhotes


Cabeças pesadas e desproporcionais ao corpo, gerando uma fantástica sensação de desequilíbrio.


Efeito Tardio


Uma tarde arde pela composição cáustica de suas horas. Me consome, me atrasa, justificando meu caos.


ABIN


O grampo no cabelo da nêga dita o ritmo da maracutaia, digo Maracatu.


Crack29tupiniquin


A política do café com leite azedou. É a nata da sociedade acoada.


SCatológico


O exército brasileiro é braço forte, mão amiga e leve.


E o Vento (me) Levou


Me falta ar, me falta tempo, me leva pai, me leva vento.


Tempos Modernos


Just-in-time, kanban ou Escola Tayloriana? Todos. Desde que o cronometrista não suma no meio da tarde e o processo deskambe.


Improbabilidade Química


Se meu laboratório Faillace, os resultados seriam outros.


Pacto


Abraçe o Diabo, sorria pra ele e diga: "Me dê mais uma chance, vou dar um jeito nisso, juro por Deus."


Surrealismo


É o discurso anestésico para perguntas de difícil explicação.


Surrealismo


O Surrealismo é a tocha incendiária arremessada em direção aos blocos de concreto residentes nos paradigmas sociais.


Amor à Profissão


Curtindo a vida em um curtume.


Laboroso


Todo trabalho tem sabor de suor: um azedume que adoça bolsos.


Afogamento Suburbano


"Cada Mergulho é um Flash". E a morte é uma instantânea e profunda queda.


O Fim dos Tempos


Em 2012, assista o filme. Conforme for, acaba o filme, acaba o mundo.


Woman CEO


Ela é cética, hipotética, patética, feita de pedra, fria.


Sereníssima


Após lavrados os termos, ela disse: não vou dar meu escrutínio secreto a ninguém. Prefiro ficar entre 4 colunas, aguardando ordens.


Pinceladas Aprisionadas


Debret capturava imagens da cena escravocrata do Brasil Império, enquando os escravos eram capturados sob outra ótica.


Tic Tac Filosófico


Antes de qualquer depois, eis o agora: passado recente de um futuro tardio.


Machismo


Sob o ponto de vista histórico-cultural, sim, Arthur Koestler foi um humanista. Sob outros: existem outras percepções.


Novo


A maneira mais simples de criar o novo é reeditar o antigo de forma perspicaz, alegando inovação e pertinência mercadológica.


Inovação


A inovação é o produto da soma dos seguintes ativos: bolo experiencial, base crítica, criatividade e visão sistêmica.


Inovação


Um recém-nascido.


O Risco da Inovação


Um prematuro.


Incubadora Tecnológica


É onde "prematurizamos" inovações e damos vida a grandes ideias.


Certeza


O somar das horas define o crepúsculo e o sonho redige o amanhã.


Embriaguez


Aspectos semi-filosóficos de uma mesa de bar que não para de rodar.


Roberto Justos


Ele é a personificação dos processos corporativos: metódico, prático e, assumidamente, pouco paciente.


Twitter


É o microcosmo de um macromundo redescoberto em 140 toques.


Twitter


É o frasismo digital regido pelo socialismo literal.


Twitter


Tão popular que um dia as pessoas irão protestar em praça pública, reivindicando aumento no número de caracteres.


Twitter


Pode não parecer, mas há quem diga que poderá ser palco de uma das mais terríveis conspirações do homem moderno: a guerra nuclear.


Twitter


Para um prolíxo, seria considerado técnica de tortura.


Twitter


Anunciar a própria morte em 140 caracteres significa um suicídio gramatical completo, composto por letras eliminadas e segredos preservados.




Reforma Agrária

Planta-se sonhos, colhe-se migalhas.



Reforma Agrária

Nunca diga nunca, nunca mesmo.


Reforma Agrária


Ele lavrou o termo de posse, mas as letras pequenas semearam discórdia.




Reforma Ortográfica

Para cada brasileiro um dicionário.


O Homem Ideal


O grande amor da mulher é o Elastano. Ele é flexível, ele é resistente, não reclama e ainda acompanha seu ritmo.


O Ideal Corporativo


Antecipação, penso e carga inovativa orientam as estratégias de uma organização.


Benchmark


A concorrência é um atirador de elite que observa os vacilos do mercado, podendo ferir ou eliminar empresas, a qualquer hora.


Elefantíase


Eu nunca tive, mas dizem que a dor é paquidérmica.


Controlador de Tráfico


É aquele que controla os aviões e sinaliza aos aviõezinhos quando é o momento de manter, baixar ou elevar os preços.


SWOT


Antecipe-se, conheça os porquês e obtenha vantagens.


Presença Digital


Ocupe seu espaço na Internet e o tenha para sempre.


PDV


O ponto-de-venda é uma casa organizada, você acha tudo em menos tempo.


Relacionamento


Conheça seu cliente, fale com ele e siga seus passos.


Revés


Quem avisa inimigo pode ser.


Melhor Idade


Vaidade feminina, volta tempo de menina.


... Pessoa


Pessoas são pessoas. Existem as físicas, as jurídicas e algumas que pensam em ser Fernando ...


Depressão


Encolerizo-me quando penso em textos inacabados. Paira sobre mim um efeito anímico e cáustico, fruto da esquiva e do medo de errar.


Branding


Branding é rebuscagem. Uma esquisitice criada por Branders e Bartenders nos botecos da moda.


Minuano


Irritante assobio de um inverno inclassificável.


Pensamento Vago


Um vagão desgovernado perseguindo o nada nos trilhos do destino.


Rejuvelhecimento


É simples. Basta financiar sua beleza em 30 anos.


Caso Bruno


Penalidade máxima e indefensável!


Vida Bandida


A vida de um marginal é uma eterna reação em cadeia.


O Redator


Ele tem dois trabalhos que não lhe dão nenhum trabalho: sonhar e escrever.


Pessoal e Transferível


O relacionamento é o fundamento transformador da sociedade de consumo.


Amanda


Ando amando. Porque o amar se aprende a mando.


Businnes Chess


O mercado é um imenso tabuleiro de xadrez. Não basta estar posicionado, é preciso movimentar-se estrategicamente.


Fila Indiana


Quem tiver esperança morrerá por último, mas morrerá.


Fama


Sensação líquida de altos, baixos e rasos.


Desemprego Literário


Ando meio vagasbundeando. Meu único trabalho é ler. Se houver retrabalho, serão releituras.


Arremesso Criativo


Arremesse uma pedra em direção do nada, grave a cena no modo ultra slow. Agora, inverte tudo, inclusive as polaridades. Crash!




Politicagem

Política com maquiagem.


Maquiagem

A beleza do dinheiro mascara qualquer feiura



Memória


Nesta vida de esquecimentos, prefiro lembrar do agora.


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Dados Inconfidenciais e Mineiros do Autor

Marcelo Petter de Vargas
Endereço residencial: Av. das Indústrias s/nº - quase esquina com Av. do Trabalhador
Data de Nascimento: 22 outubro de 1976
Data especial: 15 novembro de todos

sábado, 25 de setembro de 2010

Trocadinhos
ou
Trocadilhos


Faço poesia barata que não tem preço.
Mas, se quiser pagar pra ver,
tem que versar um terço.

O rosário com espinhos fere a carne dos invejosos,
e a minha ladainha: rima religiosas.

Antes de oferecer esmola
ou cruxificar meu texto,
leia bem as preces do contexto.

ler, escrever, criticar:
comece a soletrar.
ler, escrever, criticar:
repita até cansar.
ler, escrever, criticar:
são maneiras de rezar.
ler, escrever, criticar:
só não vale gagejar.
ler, escrever, criticar:
agora eu vou parar.
Pop Star

no começo, chovem elogios !!!
depois, eles evaporam ¡¡¡
o que sobra, então, são lembranças ...

e, um dia, tudo seca:

os bolsos,
as lágrimas,
a esperança.

quem te fama, agora, te difama.

Afinal, o que sobrou de bom?


Fama: sensação líquida de altos, baixos e rasos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONSOLO

Fhillip Toledano e seu pai

O olhar que vaga longe foi terminal, nota-se.
A lágrima que escorre nua é venal, imagina-se...
São lembranças de um amor paternal, recorda-se.

Os atos viram retratos sem moldura.
Guardados na memória de um livro aberto.
Com páginas rasgadas pela ação do tempo, incerto.

A dor é solitária e associativa.
Basta um gesto, uma frase, uma dose.
Basta tudo ou basta nada, esclerose.

Nesta vida de esquecimentos, prefiro lembrar do agora.

%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%

Phillip Toledano é um talentoso fotógrafo que aponta sua lente crítica em nossa direção. De difícil esquiva, o flash é certeiro. Um capturar de ações e reações presas em nossa intimidade. O imaginário coletivo que digerimos com ou sem consciência, todos os dias.

A foto acima faz parte de um trabalho que considero irretocável: "Days with my father". Trata-se de um livro de extrema sensibilidade, que comove pelo fotografar honesto entre pai e filho.

Vale a pena acessar: www.dayswithmyfather.com

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Encruzilhada Basca

O Sutil Linear da Vida

Ações e Reações Irrecomendáveis


A óbvia genialidade Newtoniana foi, e ainda é, uma das maiores contribuições da Física à ciência. Contudo, quando falamos abertamente de Newton, a massa de interpretações limita-se a classificá-lo como o pai da Terceira Lei, que proclama: "Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário".

Agora, traçando um paralelo descompromissado com as grandezas físicas, o qual nos permite transpor a trincheira do ceticismo e da proposição linear da matemática, é possível estabelecer comparações envolvendo a Terceira Lei de Newton e a realidade nua e crua do "microcosmo favelar".

Vejamos: trata-se de uma maneira sutil de provar que nem toda Ação provoca uma Reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário. Abaixo, alguns exemplos cotidianos:

1.

Cenário: Favela

Objeto de Discussão: A lei da oferta e da procura à intorpecentes.

Ação: Monopólio da venda adquirido por aniquilação dos pontos de tráfico concorrentes, culminando na precificação aleatória da droga comercializada.

Força Contrária: Intervenção do Estado amparado por tropas militares, através da força.

Reação: O desarticular da facção criminosa e o extermínio dos mandatários que detinham o monopólio local, seguido do reparto das divizas obtidas com o tráfico por atores não identificados neste texto.

2.

Cenário: Boca de Fumo

Objeto de Discussão: A lei da oferta e da procura à intorpecentes.

Ação: Usuário negociando pertences em troca de substâncias ilícitas.

Força Situacional: usuário endividado e insatisfeito com o produto recém negociado, decide ofender o vendedor e o gerente da boca de drogas.

Reação: Traficantes descontentes após última negociação, ordenam captura do usuário antes que este atinja a zona de conforto (perímetro externo a boca de fumo). Após interceptação, o usuário é forçosamente levado a um nicho secreto onde será barbaramente torturado e executado.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Se há retrocesso no sexo pago, 
existe progresso no ato capital.

Todos ganham...

O investidor que dobra, triplica de tamanho.
O moteleiro que cobra até pelo banho.
O michê que borra a porra da realidade.  
E a concubina que vaga, vaga saudade.

Quando o negócio vai mal,
o decapitalismo corta cabeças, evitando o caos.
 

Quando o dano é moral,
engole a vergonha, pois é carnaval.

A consciência é arbitrária em terras voluntárias.

Vire direita, esquerda, fique no centro.


Faça chuva ou faça sol, pesque puta com anzol.

Taxas variáveis em aplicações de risco.


Overnight!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

El Reflejo de la Nostalgia

Una gafas de sol sin luna.
Un luna de miel, sin duda.
Una niebla oscura, oro.
Un pincho de plata, toro.

La perilla no me engaña.
Cronopios, duendes y famas.
París, Roma, Suiza, España.
Andarillo: Neruda te llama.

Surrealismo...
el paisaje.
En tu cumple...
la homenaje.

Una vida...
un viaje.
Un poeta...
la miraje.

Amarillo...
és tu color.
Rojo...
és mi dolor.

Poemas...
sin sabor.
Teorema...
del amor.

Adios, Dios.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

INTERNACIONAL


GÊNERO DA SUBLIME INTENÇÃO:
AMOR EM MEU CORAÇÃO.

MUNDIAL POR INFINITA ESCALA,
QUE EXTERNO NA FALA E LEVO COMIGO,
INTERNACIONAL, MEU MELHOR AMIGO.

ARMA-TE COM FAÇANHAS E VENÇA BATALHAS,

DRIBLANDO AS MURALHAS DO IMPOSSÍVEL.

SEJA INTRANSPONÍVEL!

COMO SÍMBOLO QUE CARREGAS NO PEITO,
GRITO BEM ALTO, EM TOM DE RESPEITO.

VAI, CANTE COMIGO E FORME LEGIÕES.
INTER, CONTE COMIGO E MOVA NAÇÕES.
VEM, ERGUE A TAÇA E ME ENCHE DE GRAÇA.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MIL VECES SALVADOR: UN ETERNO RECUERDO




















* BCN: 30 de maio de 1948
+ BCN: 02 de março de 1974

Em homenagem ao mês de nascimento do revolucionário catalão Salvador Puig Antich.


MILMovimiento Ibérico de Liberación

quarta-feira, 28 de abril de 2010

TIJOLADA FRANCIS: ESTE AFETO NÃO SE ENCERRA

De nada adiantaria contabilizar as muitas TIJOLADAS, melhor reproduzir algumas:

"Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo."

"Dizem que escrever é um processo torturante para Sarney. Sem dúvida, mas quem grita de dor é a língua portuguesa."  

"A melhor propaganda anti-comunista é deixar um comunista falar."

"Numa democracia de verdade, só vota quem quer."

"O Brasil sempre foi a casa da mãe Joana de elites sub-reptícias que fazem o que querem."

"O Brasil é um asilo de lunáticos onde os pacientes assumiram o controle."

Dica
O Afeto Que Se Encerra (memórias)

terça-feira, 6 de abril de 2010

A MORTE DA TELEOPERADORA




















O azar dela foi a tele-entrega.

Quando chegou, era tarde demais:
morreu de tédio, de tanto esperar.

Pior ainda, o colega do lado estava ocupado,
forçando venda casada.

A pobre coitada se foi, deixando um valioso legado:
a linha desocupada, o inseparável headset e milhares de contatos.

No funeral, em homenagem aos serviços prestados,
tocaram uma musiquinha.                                                                 

AS VARIÁVEIS DA DEPENDÊNCIA HUMANA

domingo, 28 de março de 2010

BRAND TIC TAC

O tempo passa, grandes marcas ficam.  

Tag Heuer
Bvlgari
Cartier
Mont Blanc
Omega 
Constantin
Patek Philippe
Ferrari 
Citizen
Hublot
Panerai
Cauny
Tissot
Longines
Casio
Zenith
Swatch
IWC
Breitling
Breil
Calvin Klein
Festina 
Armani
Gucci


Os segundos mais valiosos são os primeiros, compartilhados por terceiros, nas infalíveis engrenagens do tempo.

domingo, 21 de março de 2010

GITANO



No hecho nada por la manãna
No hecho nada en la manzana
No traigo nada con mi hermana

En esta vida de ilusión



Y te lo pido un favor
Que me constestes por favor
La diferencia del dinero, de la fama y amor



Se te lo flipo con picor
No bajas guardia mi señor
So quiero noche, caña, pasta, suerte, vida y amor

¿Y ahora que?

Refrão (2x)

Yo soy Gitano, yo soy
Yo soy Gitano, yo soy
Yo soy Gitano, yo soy... Gitano soy, Gitano soy



Y a cada dia que se vá
Con menos plata te quedarás 
Pobre cantante no podrás beber, bailar, amar, llorar



Así que me pongo a pensar
Hay mil motivos pa cambiar
Pero quien baila el Flamenco no olvida nunca más  

Por eso que...

Refrão (2x)

Yo soy Gitano, yo soy
Yo soy Gitano, yo soy
Yo soy Gitano, yo soy... Gitano soy, Gitano soy


Bonus:

Sin el tablado
Me quedo enfadado
Niño callado
Lloro por ti

Dame Flamenco
Un otro tiempo
El fuego lento
Me quema así

Ni se te ocurra
Quitarme la luna
Hablame segura
Te quiero así

Vamos morena
Dame poemas
Son las serenas
Que cantan así

Que cantan así
Que llaman a mí

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

IRREVERÊNCIA SUBURBANA: O AFOGAMENTO DE MARA MANZAN EM 57 LETRAS

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                    28 de maio de 1952 / 13 de novembro de 2009